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Especial Desafios 2010: cuidado com excesso de otimismo

Mercado aguarda um ano mais próspero para a economia, mas sinal verde para investir deve ser acompanhado de gestão de risco eficiente

O Brasil decola. A capa de novembro da revista britância The Economist resume o momento de otimismo que o mercado vivencia em relação ao País, que se mostrou resistente a uma crise financeira de grandes proporções mundiais. Com perspectivas de crescimento da economia de até 6% em 2010, o período parece ideal para retomada de investimentos. Especialistas alertam, porém, que as empresas precisam aperfeiçoar suas políticas de gestão de risco para não serem surpreendidas por um excesso de euforia — que tende a criar novas bolhas.

 “Esse sentimento positivo deve ser acompanhado de uma atuação mais conservadora. É preciso sim fazer investimentos, pois a concorrência fará, mas tudo isso deve ser administrado com cautela, de olho nos indicadores econômicos, no mercado internacional e até nas condições climáticas”, disse o presidente do Conselho de Administração do Instituto Brasileiro de Executivos de Finanças (Ibef) de São Paulo, Walter Machado de Barros, que também é presidente da WMB Consultoria.

“Cabe ao presidente da empresa saber equilibrar as expectativas de cada departamento. O otimismo não deve estar isolado de indicadores sólidos, nem de uma política de gestão de riscos”, analisou Barros.

De acordo com o executivo, as companhias ainda têm muito a desenvolver neste segmento. “Esse é um conceito que veio da área financeira e está apenas começando nos demais ramos da economia. Muitas corporações realizam apenas uma análise de capacidade de pagamento de clientes e a saúde de seus fornecedores”, explicou. “A gestão de risco deve ir além. É necessário ter uma administração ‘antecipativa’, que saia do dia a dia e esteja presente a cada decisão estratégia”, complementou.

Blindagem

De acordo com levantamento da Ernst & Yung, 96% das empresas globais avaliam que melhorar a política de gestão de risco nos próximos meses será vital para a competitividade. Para isso, cerca de 50% dos empresários planejam aumentar o orçamento da área.

“Como muitos setores dependem de financiamento para operar e investir, com a recessão de crédito por conta da crise o apetite por risco acaba se tornando instrumento de trabalho. A bolha imobiliária, contudo, trouxe lições importantes que não serão esquecidas pelas empresas. Todos estão sujeitos e fatores imprevisíveis, o que não pode acontecer é estar despreparado”, destacou o sócio-diretor PP&C Auditores, Paulo José de Carvalho.

Conforme o especialista, para se blindar é preciso constante planejamento. “A organização tem de identificar quais são os seus riscos e como eles afetam o negócio, desenvolvendo um plano de ação para cada um deles. Além disso, o ideal é que a empresa tenha uma equipe exclusiva para tratar do assunto. Hoje, esse papel fica acumulado, geralmente, com o diretor financeiro e acaba ficando em segundo plano de gestão”, avaliou Carvalho.

“Empresas que têm decisões mais ousadas geram lucros diferenciados. O risco, porém, deve ser precificado no negócios, garantindo fluxo de caixa em caso de notícias negativas”, destacou Barros.

Aprecie com moderação

Embora as projeções macroeconômicas para o Brasil sejam de retomada do crescimento, aumento da oferta de crédito e do consumo, há rumores de elevação da taxa básica de juros da economia, a Selic (atualmente em 8,75% ao ano), para o segundo semestre, como medida de contenção de inflação. Além disso, outros fatores prometem elevar incertezas.

“O ritmo de recuperação dos países desenvolvidos ainda é muito lento, o que pode trazer impactos negativos para o mercado de forma geral. Outra questão que precisa ser resolvida o quanto antes é a regulamentação do segmento financeiro norte-americano, que vem apresentando forte resistência interna”, alertou o vice-presidente de Finanças da Associação Nacional do Executivos de Finanças, Administração e Contabilidade (Anefac), Roberto Vertamatti.

No cenário internacional, a atenção pode se voltar também para a China. “Há um grave risco de bolha imobiliária na região, segmento que está crescendo de forma astronômica. Contudo, como o governo é centralizador, há chances de que ele crie mecanismos mais rígidos de controle”, disse.

Mesmo com possibilidade de que os impactos internacionais freiem um pouco a expansão brasileira, o otimismo interno não deverá ser abalado significativamente. “Esse é o momento do Brasil, que vem se destacando entre os emergentes. Há muito espaço ainda para crescer, principalmente pelo desenvolvimento do mercado consumidor. A representatividade do crédito no Produto Interno Bruto (PIB) é hoje de 46% apenas. No Chile, esse volume chega a 80%”, pontuou Vertamatti.

Mais que a influência externa, gargalos internos precisam ser resolvidos para garantir a “decolagem”. “O Brasil sofre sérios problemas de elevada carga tributária e de juros altos, o que impedem aumento de investimentos e o desenvolvimento sustentável”, salientou.

Fonte: Financial Web


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