A crise
Por Crisanto Soares Ribeiro
Mas o que vem a ser a crise? Segundo o dicionário Aurélio a palavra crise pode ser definida como um "Ponto de transição entre uma época de prosperidade e outra de depressão. Fase difícil, grave, na evolução das coisas, dos sentimentos, dos fatos; colapso."
Desde setembro de 2008 temos presenciado uma enxurrada de informações através das diversas mídias, “especialistas” de todos os matizes ressaltando que esta se constitui na maior crise vivenciada, deixando de lado as crises: a de 29, intitulada a Grande Depressão, as do Petróleo em 1973 e 1978, a Mexicana de 1994, a Argentina de 1997, a Russa de 1998, a dos Tigres Asiático de 1999.
Mas qual a razão ou razões desta afirmação?
O processo de globalização se intensificou nas últimas décadas, as fronteiras de investimentos foram rompidas, a busca por melhores rendimentos fizeram que capitais circulassem por diversos ambientes em nosso mundo em questão de segundos. A natureza especulativa destes capitais prosperava em decorrência da incapacidade dos gestores públicos em proporcionar instrumentos de regulação eficientes. A essas constatações devemos acrescentar a prática do consumismo sem um maior critério, muitas pessoas em diversas partes do planeta, na tentativa de acompanhar os mercados, se deixam levar pelo impulso.
O crédito fácil presente em diversos países, o Brasil não está imune a esta prática, promoveu o acesso de inúmeros consumidores ao mercado de produtos duráveis ou não. Em alguns países, como os Estados Unidos, epicentro da atual crise, o crédito já representava em setembro do corrente a 105% do PIB, em nosso país atingiu em igual período a 37%, os países chamados desenvolvidos ou de primeiro mundo apresentam uma relação média em torno de 50%.
A crise do crédito em diversos países exigiu destes ações que em sua maioria contrariam os princípios do liberalismo e/ou o poder de auto-regulação do Deus Mercado. Dentre estas ações podemos destacar a estatização de instituições financeiras, a disponibilização de linhas de crédito a empresas em taxas mais compatíveis com o ciclo de suas atividades.
O não dimensionamento adequado da crise pela falta de transparência das instituições financeiras e mesmo empresas promoveu uma retração sem igual em diversas linhas de crédito, que deve perdurar durante todo o resto do corrente ano e o primeiro semestre do próximo.
Quais as conseqüências deste fato?
Muitas empresas em todo o mundo em virtude da expectativa da retração da demanda por seus produtos e serviços, estão promovendo revisões de suas políticas de investimentos e a diminuição de postos de trabalho. Em muitos países já identificamos o agravamento deste quadro, com a percepção da chamada recessão técnica, ou seja, a retração do Produto Interno, em pelo menos dois trimestres consecutivos. Nosso País não está imune aos efeitos da crise, entretanto não podemos negar que estamos em condições mais favoráveis para enfrentar a crise: diversificamos a nossa pauta de exportações e os destinos das mesmas, na última década mais de 13 milhões de brasileiros ascenderam socialmente, nossas reservas cambiais somavam mais de US$ 200 bilhões. Alguns setores, contudo, deverão enfrentar contextos mais críticos, em decorrência principalmente de equívocos estratégicos, a concentração de suas vendas em poucos mercados, bem como, o não processo de capitalização adequada nos períodos de lucros crescentes observados nos últimos anos.
Então o que fazer?
Não podemos mais continuar agindo por impulso, os mercados financeiros nos últimos anos possibilitaram rendimentos inimagináveis, todavia, numa conjuntura favorável, era fácil todos obterem ganhos. No contexto atual, devemos resgatar os princípios do planejamento, construindo cenários, avaliando as conseqüências de cada ação, seja na condição de pessoas naturais ou empresas. Caberá ainda aos governantes, nos três níveis do executivo, a adoção de medidas de desoneração da produção e dos investimentos, através da efetiva reforma tributária, com a simplificação dos processos e ainda, reverem suas estratégias de custeio para recuperar a capacidade de investimentos. Ao setor financeiro caberá um papel fundamental de adequar as taxas de juros praticadas ao risco de cada cliente, através do aperfeiçoamento dos processos de análise de crédito.
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