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ECONOMIA

Que venha um bom ano!

O economista Gustavo Cerbasi faz um balanço de 2009 e previsões realistas sobre investimentos para o ano que vem chegando.

2009 está ficando para trás. Um ano interessante, com a conquista para sediar a Copa do Mundo e as Olimpíadas, ratificação tardia do grau de investimento pela Moody"s e uma recuperação incrível da economia e dos mercados de empregos e investimentos. Um ano mais que interessante para quem seguiu o conselho de nove entre dez especialistas no início do ano: investir em ações. Foi fácil ganhar dinheiro, como acontece em todo pós-crise.

Entraremos em 2010 com os bolsos cheios e as esperanças renovadas. Brasil, o país do futuro! Devemos renovar também nossas expectativas de bons ganhos nos investimentos? Eu não seria tão otimista. Acredito no sucesso da economia, mas prefiro manter os pés no chão. Os investimentos são como construir castelos de areia. Se eles crescem rápido demais, as chances de desmoronamento aumentam. Começaremos o ano com a bolsa próxima de seu recorde de pontos, com os empregos e a renda em patamares recordes, e com um horizonte que inspira cautela. 2010 é ano de eleições majoritárias. Em outras palavras, é ano em que os investidores estarão, no jargão de mercado, mais "cautelosos", à espera do que pode acontecer antes, durante e depois das eleições.

Não, não haverá expectativas negativas, como aconteceu na primeira eleição do presidente Lula (lembra? "Vão comer as criancinhas...", "Ricos ficarão pobres..."). Sem dúvida, o que se espera é continuidade nas políticas fiscais e econômicas, o que traz tranquilidade a todos. Mas as manchetes estarão ocupadas demais, retratando as mentiras que falarão sobre os mentirosos. Grandes empresas não tomarão grandes decisões, pois estarão ocupadas demais com as estratégias de apadrinhamento político. Fusões e aquisições tendem a ficar para o ano seguinte. Debatendo sobre sua indignação com as bobagens ditas pelos candidatos, as famílias brasileiras tendem a não ter muito tempo para pensar sobre dinheiro - por que não aproveitar o maldito horário eleitoral gratuito e obrigatório para fazer planos e melhorar a vida?

Anos de eleições presidenciais geralmente são anos de letargia para os investimentos. Se os mercados se valorizarem, será pela inércia natural do crescimento da economia, e não tanto pela euforia dos investidores, como aconteceu em 2009. Surgirão escândalos nos jornais que derrubarão preços das ações das empresas públicas em curtos períodos de tempo, mas pacotes de incentivo ao consumo devem trazer recuperação igualmente rápida a tais preços.

Aliás, se algo é certo em ano de eleições, é que não faltarão generosidades por parte do governo. "Uma rodada para todos, por nossa conta", é o script tradicional. Como se o governo fosse dono do dinheiro que tem nos cofres do Tesouro Nacional. Voto não se ganha, mas sim se compra. Por isso, espere incentivos ao consumo, como mais prorrogações nas isenções do IPI, juros baixos para financiamentos através dos bancos oficiais, subsídios a investimentos privados, geração de empregos públicos e despejo de recursos públicos - nosso dinheiro - para acelerar o celebrado plano de aceleração do crescimento. 2010 será um ano muito bom para trocar a casa própria, renovar os eletrodomésticos ou fazer a viagem dos sonhos.

Obviamente, isso não é desculpa para se endividar e arruinar suas finanças durante os próximos anos. Minha recomendação tradicional de início de ano é: contas na ponta do lápis, planejamento para não se endividar à toa e investimento disciplinado e consistente para que seus sonhos sejam construídos, e não apenas sonhados. Ter as contas em dia e a ficha de crédito limpa, sem atrasos, será bom não apenas para a tranquilidade de sua família. Estamos para assistir a um boom sem precedentes na oferta de crédito, fruto da forte emigração de capital estrangeiro para o Brasil na próxima década, consequência da obtenção do grau de investimento pelo país.

Dinheiro fácil? Não. Dinheiro farto, barato e de longo prazo apenas para quem tiver um bom histórico ou um bom projeto de negócios a apresentar aos bancos. Prosperaremos, se aprendermos a planejar. Mas, por enquanto, não se esqueça de consumir com equilíbrio e inteligência. E reflita bem na hora de votar.

Fonte: HSM


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