Gestão de riscos ineficaz deixou empresas vulneráveis à crise
Relatório da Ernest & Young pede menos burocracia e mais rigor para uma melhor reputação financeira das companhias.
Os conselhos de administração e comitês de auditoria deveriam questionar a administração das empresas de forma mais vigorosa para obter um entendimento completo dos controles financeiros em uso e das funções de risco, além dos procedimentos com relação a fraudes. É o que afirma o relatório Meeting today"s financial challenges, produzido pela Ernst & Young.
A principal conclusão do estudo é de que muitas empresas foram atingidas de forma mais severa do que deveriam pela crise global em razão da falta de planos eficazes para mitigar o impacto de riscos externos. Em muitos casos, essa falta de preparação afetou a reputação financeira dessas companhias, levando investidores e demais partes interessadas a exigirem mais informações detalhadas e transparência antes da tomada de decisões sobre investimentos.
Na visão de Antonio Cocurullo, diretor da Ernst & Young no Brasil, "a pesquisa nos mostra que muitas organizações precisam melhorar sua supervisão da gestão de riscos. O escopo observado pelos conselhos de administração e comitês de auditoria está aumentando, e isso impacta o desempenho da companhia como um todo. É necessário que a função de risco não seja simplesmente mais um exercício burocrático de conformidade."
De acordo com a pesquisa da Ernst & Young, 76% dos 153 membros de comitês de auditoria pelo mundo alegaram que sua função havia se tornado mais desafiadora nos últimos 18 meses. Somente 13% classificaram sua função de risco como sendo muito eficaz. Quatro de cada 10 companhias questionadas esperavam aumentar seus recursos de gestão de riscos, sendo que 85% delas estavam planejando melhorar o alinhamento entre a estratégia e os objetivos do negócio e 84% tinham planos de melhorar o processo de avaliação de riscos.
Informações financeiras melhores
Questões sobre liquidez ainda são a principal preocupação das companhias, já que os bancos continuam a impor políticas de financiamento cada vez mais rígidas, os clientes se esforçam para pagar suas contas em dia e os investidores estão cada vez mais cautelosos sobre opções potenciais de investimento.
Ao mesmo tempo, os investidores e outras partes interessadas estão exigindo informações mais claras das companhias sobre a gestão de ativos financeiros e tomadas de decisão, principalmente com relação a governança corporativa, gestão de riscos e avaliações de mercado.
As administrações estão sob crescente pressão para oferecer informações claras e úteis que possam ajudar na tomada de decisão. Tal exigência de transparência demanda também ferramentas mais eficazes de comparação.
Por isso, o estudo conclui que o momento atual é uma ótima oportunidade para gerar uma melhora significativa na divulgação de relatórios das companhias. E isso iria além das informações financeiras e tradicionais dos demonstrativos. Para que isso ocorra, a administração e os comitês de auditoria devem trabalhar juntos.