Aumento da Selic busca controlar a inflação
Após 19 meses, o Comitê de Política Monetária do Banco Central voltou a elevar a taxa de juro, de 8,75% para 9,5%. Com a economia voltando a rodar em alta velocidade depois da crise, o Copom tenta impedir o superaquecimento e a consequente alta de preços.
A decisão de elevar a taxa Selic em 0,75 ponto percentual foi unânime, mas não esfriou os ânimos dos habituais críticos, embora tenha ficado dentro das previsões.
Na origem da decisão do BC está a preocupação com a inflação, mas não apenas a que se acumula em 2,06% até março, quase metade da meta que o governo estabeleceu para todo ano, de 4,5%. Também inquieta o governo o temor de que os preços sigam subindo caso a economia continue aquecida como nos primeiros meses do ano.
– Se deixar a economia continuar crescendo, a demanda sobe muito em relação à capacidade de produção. É melhor não deixar superaquecer – adverte Antonio Carlos Pôrto Gonçalves, professor de Economia da Fundação Getúlio Vargas (FGV).
Ele vê excesso de calor na produção industrial, na venda do comércio varejista e no consumo de energia elétrica, que situam o Brasil muito perto da sua capacidade de produção.
No setor produtivo, a preocupação maior é com o início de um “ciclo de alta” – novas elevações da Selic, que, segundo a expectativa de mercado, deve fechar o ano em 11,75%.
Fonte: Diário Catarinense |