Antes de investir, saiba quais os riscos para os mercados em 2009
Restando poucas sessões para o fim oficial do ano de 2008, os mercados já operam com os pés fincados no ano novo. Otimistas ou pessimistas, as projeções para o ano novo devem levar em consideração os principais fatores de riscos para investimentos em ativos brasileiros.
Não é novidade: 2009 será marcado pela desaceleração dos países emergentes, aliada ao desempenho negativo de economias desenvolvidas, com conseqüências desfavoráveis para o consumo e os resultados corporativos. O cardápio ainda traz perspectivas de expansão monetária e fiscal e as incertezas relativas ao câmbio.
Um tombo gigantesco
Um dos maiores responsáveis pelo desempenho favorável recente da economia brasileira foi o sucesso da China e sua voraz importação de commodities. Maior produtora global de aço e uma das mais importantes fornecedoras de produtos manufaturados para os países centrais, esperava-se que a China fosse capaz de manter em alta a demanda global.
Inicialmente suportada por teses como a do descolamento, o entusiasmo com o gigante asiático reduziu-se aos poucos, frente à desaceleração em seus principais mercados compradores. Ainda assim, a China mantém ritmo elevado de expansão do produto e deverá ser crucial para a recuperação global.
"Uma possível desaceleração abrupta da China trará sérias implicações para os outros mercados emergentes, pois o apetite chinês por commodities e bens intermediários tem sido uma das maiores fontes de crescimento desses países", ressalta Lika Takahashi, da Fator Corretora.
O espetacular crescimento do país nas últimas décadas foi puxado pela soma de investimentos na produção de bens voltados à exportação, um dos fatores que deixa a economia do país exposta à crise e motiva a avaliação severa de alguns analistas.
Mas também há espaços para confiança. "O crescente mercado interno chinês deve compensar em parte as perdas com a diminuição das exportações", revelam os analistas da corretora Spinelli. Todavia, apontam outra fonte de problemas: "um risco significativo para o país é o crescimento de tensões sociais contra o regime autoritário e as enormes desigualdades econômicas”.