GESTÃO DE PESSOAS

A volta da velha guarda

A crise abre espaço para profissionais mais experientes. Aprenda com eles

A troca da geração Y para a Baby Boomers — de pessoas A nascidas entre 1946 e 1964 — começa a acontecer em cargos-chaves no momento em que empresas optam pela tranquilidade que a experiência traz. “A geração de executivos na faixa dos 30 anos não vivenciou o mercado nos anos 80, quando toda semana havia uma pequena crise”, diz Arthur Vasconcellos, sócio da CT Partners, que recruta executivos, de São Paulo. Deles é esperado que lidem bem com situações de corte, de otimização de recursos e de gastos, e que tenham menos projetos inovadores. “Não é momento de experimentar”, diz Paulo Amorim, sócio da Korn/Ferry, consultoria de recrutamento de executivos de São Paulo. De oito vagas para altos executivos que Paulo preencheu nos últimos meses, cinco foram ocupadas por profi ssionais com mais de 60 anos. “Antes, seriam pessoas entre 40 e 55 anos”, diz Paulo.

A AGV Logística, com sede em Limeira, interior de São Paulo, é uma das que trouxeram executivos com idade avançada nos últimos meses. Eles ganharam espaço em cargos de gestão nas áreas de recursos humanos, projetos e gerências comerciais, de acordo com Silvana Oleinik, gerente de RH. Os mais novos ganham por aprender com quem já passou por situações semelhantes. Carolina Osanai, de 28 anos, gerente de projetos e expansão da AGV, que sempre trabalhou com jovens (a média de idade lá é de 27 anos), ganhou a companhia de profissionais seniores. Para renegociar os espaços alugados aos clientes, ela passou a trabalhar ao lado de Jalaertem Campos, de 53 anos, diretor de desenvolvimento de novos negócios, que assumiu o cargo após a reestruturação, em setembro. “Há ganhos na parte técnica, mas é o comportamental o mais beneficiado”, diz Carolina.

Controle da ansiedade, poder de persuasão e aprender a ouvir têm sido algumas das lições captadas desde que o novo “tutor” chegou à empresa. Qualidades importantes neste momento de crise. A Arcon, empresa de segurança da informação, contratou quatro profissionais com mais de 50 anos para a assessoria da presidência e para a liderança nas áreas comercial, de processos e de gestão de qualidade. “Quem viveu nos anos 80 enxerga além do noticiário”, diz João Navarro, de 56 anos, recémcontratado como executivo sênior de vendas e marketing da empresa.

Nos Estados Unidos, as organizações que estão planejando cortes de pessoal consideram manter os profissionais com mais idade, mesmo que eles tenham salários altos e representem um custo de saúde mais elevado. A fabricante de aviões Boeing anunciou, no final de janeiro, que vai demitir 10 000 funcionários este ano, no entanto, pretende manter seus profissionais mais experientes. A explicação da companhia é que os mais experientes são um importante ativo da empresa, pois representam anos de investimento em treinamento e detêm experiência e conhecimento acumulados das operações. Uma pesquisa do Bureau de Estatísticas do Trabalho americano mostra que o número de pessoas com mais de 55 anos empregadas cresceu em 900 000 desde o início da crise, em dezembro de 2007 (veja o quadro acima). Já os profissionais com idade entre 25 e 54 anos perderam quase 3 milhões de empregos. Diferentemente das crises anteriores, esta tem se mostrado mais benéfica aos profissionais mais experientes.

O valor da experiência


Nos Estados Unidos, 900 000 pessoas com mais de 55 anos entraram no mercado de trabalho desde o início da crise, em 2007. Por outro lado, dos profissionais com idade entre 25 e 54 anos, quase 3 milhões perderam o emprego.

Fonte: Você S/A