A desvalorização do dólar frente ao real reflete-se com dureza na balança comercial de Santa Catarina. No mês passado, as exportações estaduais registraram queda de 10,5% em relação ao mês anterior, um baque de US$ 553,7 milhões em números absolutos, segundo os dados divulgados pela Federação das Indústrias (Fiesc) na terça-feira. A queda das vendas externas no acumulado do ano já chega a 23,8% na comparação com o mesmo período de 2008, significando US$ 3,7 bilhões que deixaram de ser injetados no círculo virtuoso da economia regional. Atrás desses números, o desemprego, a inadimplência, e não poucos empreendimentos industriais voltados preferencialmente ao mercado externo no limite da sobrevivência. Destaque-se que a economia catarinense tem um dos seus principais esteios nas exportações, graças à qualidade e competitividade dos seus produtos.
O problema causado pelos números negativos da balança comercial, portanto, não é apenas setorial, mas do todo. A pesquisa Indicadores da Fiesc revelou que as vendas gerais da indústria tiveram uma queda de 5,6% no acumulado de janeiro a junho em relação ao primeiro semestre de 2008. O momento é, realmente, de cautela, como bem afirma o diretor de Relações Industriais e Institucionais da entidade representativa da indústria de Santa Catarina, empresário Henry Quaresma.
A má fase das exportações brasileiras é sentida de forma mais aguda nas vendas externas dos manufaturados. As exportações de automóveis, por exemplo, caíram 47% entre janeiro e maio deste ano em relação ao mesmo período do ano anterior, segundo a Associação Nacional de Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea), enquanto as de aço registraram queda de 50% e as de motores elétricos – este, um item de relevância na pauta exportadora catarinense –, 60%, na mesma comparação. O economista Júlio César Gomes de Almeida, do Instituto de Estudos para o Desenvolvimento Industrial (Iedi), lembra que não se trata de quaisquer manufaturados, mas de setores nos quais sempre tivemos forte presença e reconhecida tradição no mercado externo. O especialista alerta que esta é a hora certa “para um programa mais agressivo de financiamento e para uma reforma tributária, nem que esta seja voltada, numa primeira fase, para esses setores da economia, de vez que a indústria é extremamente penalizada pela carga de tributos”, com o que concordam as entidades representativas do setor país afora. Um exemplo é eloquente: o óleo de soja é mais taxado do que a soja em grão.
O Ipea estima para este ano um volume total de US$ 155 bilhões nas exportações nacionais, e em US$ 130 bilhões o das importações, contra US$ 191 bilhões e US$ 165 bilhões, respectivamente, em 2008. Mesmo mantido o saldo comercial, a desvalorização cambial – que a Fiesc também reclama para oxigenar as vendas externas de Santa Catarina – é necessária, e mesmo urgente, para robustecer o balanço nacional de pagamentos.
Fonte: Diário Catarinense
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